terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Exclusiva
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Sob a tutela da segurança


Por Antonio Ferro


Precaver acidentes é um constante exercício para operadores do transporte de passageiros e no desenvolvimento de novos ônibus no Brasil. Mas, antes de tudo, um dever do passageiro e do motorista.

Segurança é a palavra de ordem a quem diariamente é responsável por vidas humanas. Embora sabemos que no setor de transporte de passageiros há exemplos de total abdicação a pauta, sendo o serviço pirata uma grande problemática encontrada pelas estradas brasileiras, o transporte regular trata o tema com muita seriedade e preocupação, realizando ações para uma viagem com total garantia na partida e na chegada. E é por isso que as montadoras nacionais investem constantemente em componentes avançados, (que para muitos passam despercebidos em suas viagens) itens de fundamental importância na operação rodoviária em linhas regulares ou nos serviços turísticos. E não só de modernos equipamentos vive um ônibus. As empresas também se empenham em garantir suas operações dentro dos padrões exigidos em uma longa viagem. Um motorista experiente e que recebe contínuo treinamento e atualização quanto a novas tecnologias torna-se um imperativo no quesito condução segura.

Hoje, os chassis estradeiros já saem com uma série de inovações relacionadas à segurança. A tecnologia incorporada revela ganhos excepcionais na operação, beneficiando a todos envolvidos com o transporte, principalmente a passageiros e motoristas, essenciais razões em uma viagem rodoviária. Para que os avanços sejam tópicos de relativa importância quando se fala em segurança, duas montadoras, coincidentemente de origem sueca, oferecem ao mercado nacional veículos com um pacote completo tecnológico de segurança e conforto. Recentemente, a Scania materializou o uso de recursos avançados em seus produtos rodoviários. São itens que valorizam quem dependa do ônibus e de terceiros, como o Sistema Eletrônico de Freios, conhecido como EBS, onde uma unidade de controle calcula automaticamente a carga a ser aplicada em seu sistema. Segundo a montadora, ele mede a aderência de cada roda à superfície da estrada e distribui a força de frenagem individualmente, fornecendo máxima eficiência no desempenho dos freios, que além de convencionais a tambor, podem ser equipados com disco.



Divulgação

Para carroçarias altas, do tipo dois pavimentos ou low driver, a Scania agregou um sistema inteligente em seus chassis K 380 e K 420 contra tombamento, através de um sensor de ângulo que monitora a inclinação do chassi em relação à horizontal e quando o ângulo excede 23 graus. Com isso o sistema é ativado provocando o esvaziamento das câmaras de ar, estabilizando e abaixando o centro de gravidade do veículo. “A segurança para os passageiros é a principal característica de nossos produtos, respaldada por sistemas eletrônicos como o controle de freios e o controle da suspensão. Essas novas funções garantem confiabilidade aos veículos e minimizam a ocorrência de falhas”, observou Mathias Carlbaum, diretor de Vendas de Veículos Scania para a América Latina. Também na área de eletrônica, os respectivos chassis podem ser equipados com o ESP – Programa Eletrônico de Estabilidade, importante ferramenta que monitora continuamente o movimento e a velocidade do veículo e o giro das rodas. Para poupar esforços do sistema de freios, a montadora disponibiliza ainda o Retarder, freio auxiliar hidráulico que age diretamente a transmissão de rotação do veículo. Com ele, a redução da velocidade é gradual, sem o uso dos freios nas rodas. Ele pode ser acionado manualmente, através de uma alavanca na coluna da direção ou no modo automático, junto ao pedal do breque.

Para o motorista a Scania proporciona um ambiente com total atenção à ergonomia da condução. O posicionamento do volante, da poltrona e do painel de instrumentos (coordenados com qualquer tipo de encarroçamento) foi desenvolvido para que esse profissional encontre conforto e facilidade no manejo de cada elemento, garantindo assim melhores condições de trabalho. As informações da eletrônica embarcada podem ser checadas no painel de instrumentos, através de um visor de cristal líquido. “Graças a esses equipamentos, beneficiados pela tecnologia antes encontrada na Europa e agora no Brasil, podemos oferecer produtos personalizados de acordo com a necessidade de cada operador de ônibus. E um profissional descansado e com cockpit dimensionado nos modernos padrões de segurança, proporciona uma viagem bem mais confortável”, destacou Wilson Pereira, gerente executivo de Vendas de Ônibus da Scania do Brasil.


Divulgação

Na trilha de sua conterrânea, a Volvo, que em seu histórico mostra o pioneirismo em muitos métodos de segurança, colocou a plataforma eletrônica em seus produtos sofisticados ideais para médias e longas jornadas. O chassi B12R, considerado por ela o mais seguro e avançado do Brasil, conta com o sistema ESP (Eletronic Stability Programa ou Programa Eletrônico de Estabilidade), capaz, por exemplo, de reduzir a possibilidade de derrapagem e capotamento em curvas fechadas e onde a velocidade é incompatível com as curvas. Definido como um dos mais modernos dispositivos de segurança ativa desenvolvido pela Volvo, o ESP corrige o torque e permite a aplicação individual dos freios. “A principal função do ESP é detectar situações de perigo para o veículo, atuando rapidamente de forma a prevenir um eventual acidente. Quando o veículo entra em uma curva com uma velocidade acima da necessária, o sistema automaticamente reduz o torque e faz a aplicação individual e correta do freio”, disse Glênio Karas, engenheiro de vendas de caminhões da Volvo do Brasil.

O ESP é composto por sensores de direção no volante, de aceleração lateral do veículo e da velocidade das rodas. Esse sistema inteligente também coleta os dados da carga dos eixos, da rotação do motor, da posição do pedal do acelerador e da força imprimida na frenagem do ônibus. Segundo estudo da União Européia, o ESP pode reduzir em até 35% o risco de acidente em estradas. No pacote tecnológico dos chassis Volvo, ainda há o freio motor VEB, com potência de 390 HP e o sistema EBS-5 (Electronic Brake System) que possui equipamentos como o ABS, o ASR, freios a disco e regulagem eletrônica da pressão de frenagem, além de sensores de desgaste das pastilhas e auxílio para arranque em subidas. Esse último equipamento age por meio de um sensor de inclinação, contribuindo para uma arrancada em subidas sem solavancos. “Além de proporcionar maior segurança, o EBS permite uma melhoria substancial na operação do veículo”, declarou Gustavo Novicki, engenheiro de vendas da Volvo Bus Latin América.


Para a Volvo, segurança vem do berço, desde a concepção de um veículo, adotando padrões que possam beneficiar a todos os envolvidos na cadeia do transporte. Ela ainda desenvolve outros equipamentos de segurança, como o Apoio para Ponto Cego, dispositivo interativo de câmeras e radar e Apoio de Mudança de Faixa, que utiliza sensores de radar para monitorar e alertar o motorista quando há a presença de outros veículos na estrada, nas áreas ocultas e de difícil visualização. O ônibus mais seguro e avançado do Brasil, segundo a Volvo, é o modelo B12R, pois incorpora características ímpares que o destacam entre todos os outros modelos de sua categoria. O pacote tecnológico que pode ser utilizado no veículo é composto pelo sistema EBS, o ESP e a caixa inteligente de transmissão I-Shift, uma oferta que proporciona muito conforto, segurança e benefícios operacionais a passageiros, motoristas e empresários. Com espírito de inovação, a Volvo foi pioneira no desenvolvimento e utilização em série do cinto de 3 pontas, ainda na década da de 60.

Na prática

Mas não são apenas veículos de última geração, com equipamentos avançados que farão as viagens mais seguras. Pela lógica, o fator humano é a contrapartida nesse mundo de tecnologia, pois sem ele uma máquina não tem fundamento em ser tão sofisticada e atualizada. E nisso as empresas transportadoras estão atentas ao que podem oferecer aos seus clientes. A Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha, com sede em Curitiba, PR, concentra seus esforços para que motoristas e o pessoal de manutenção cumpram um papel essencialmente determinante em suas operações rodoviárias. “Com os recursos tecnológicos melhorando a cada dia nossa segurança, nada mais essencial do que manter nossos motoristas atualizados e preparados para a correta utilização desses meios”, enfatizou Carlos Lacerda, diretor comercial da Penha. Na empresa paranaense o motorista recebe aulas teóricas e práticas em relação aos novos equipamentos. Também em sua reciclagem anual, destacam-se as aulas de direção defensiva e de relacionamento com colegas e passageiros. Para o candidato a motorista, as novidades são apresentadas no momento do treinamento de admissão. Em uma empresa que atua nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, a saúde do motorista é outro relevante em sua natureza operacional.


Lacerda, da Penha - segurança em primeiro lugar

Segundo Lacerda, a questão é primordial, sendo tratada com extrema dedicação pelo departamento médico e por um profissional da área de nutrição. O executivo também lembrou que a manutenção preventiva dos veículos, observando todos os itens que garantam a vida útil da frota com todos os elementos de segurança, segue um padrão estabelecido no mais moderno conceito. “Todas as evoluções são benéficas para a empresa e para o profissional, pois queremos oferecer o melhor para os clientes e como conseqüência o motorista acaba evoluindo profissionalmente. Para isso, as montadoras são nossas parceiras que sempre estão a disposição para nos auxiliar quando necessário”, disse Lacerda. A Penha possui 158 ônibus, com idade média de 4 anos, operando nos serviços convencional, executivo e leito, rodando 2.200.000 km mensalmente. Seu quadro é formado por 621 colaboradores e suas principais linhas são Rio de Janeiro x Curitiba; Curitiba x Porto Alegre; São Paulo x Sobral e São Paulo x Campina Grande. “Temos toda tecnologia embarcada e divulgamos nossa preocupação com a segurança, hoje um aspecto essencial para o sucesso do negócio, pois nosso cliente está atento se a empresa vai atender as suas expectativas”, finalizou Lacerda.

Mas a combinação tecnologia/profissional não se completa sem a participação do passageiro. Não importa se falarmos apenas sobre os equipamentos mecânicos tecnologicamente modernos e de treinamento eficaz de motoristas e profissionais da manutenção, se quem utiliza os ônibus não colaborar para sua segurança. Com presença obrigatória (e uso obrigatório conforme artigo no Código Brasileiro de Trânsito) nas poltronas dos ônibus rodoviários desde 1999, o cinto de segurança ainda é um simples objeto de adorno e motivo até de chacota de outros usuários. Ignorado, esse equipamento reduz os acidentes em uma colisão ou no tombamento do veículo. Para se ter uma idéia, segundo o site http://www.estradas.com.br/ e dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, na ocorrência de um acidente de ônibus, em que todos os ocupantes usem cinto de segurança, o número de mortos e feridos pode ser 75% menor comparando com acidente nas mesmas condições, em que as vítimas não usem cinto.

Os números impressionam

- Apenas 2% dos passageiros utilizam o cinto de segurança em ônibus.
- 2.400 passageiros de ônibus, micro ônibus e vans falecem por ano.
- 17.000 acidentes nas rodovias federais, estaduais e municipais.
- Cerca de 15.000 pessoas ficam feridas, sendo 4.500 em estado grave.
Fonte – SOS Estradas


Volvo Bus

E qual o melhor tipo de cinto de segurança nas viagens de ônibus? Esta é uma questão que envolve muitos fatores quanto a aplicação, a estrutura do veículo ou então no modo como pode ocorrer um acidente. O modelo utilizado pela indústria nacional é o abdominal, fixado na poltrona. Para especialistas no assunto, o uso de um cinto com três pontos é considerado o melhor em relação ao tipo utilizado por aqui. “O cinto de três pontos é o mais adequado para passageiros dos ônibus. Mas a versão utilizada em nossos ônibus, do tipo abdominal, não deixa de ter sua importância em caso de acidente. No aspecto funcional, o modelo de três pontos apresenta uma complexidade em seu uso quando em poltronas reclináveis. O que também importa é a fixação das poltronas na estrutura da carroçaria, de maneira segura e eficaz”, disse Lino Belli Junior, proprietário da LBJR Engenharia Ltda, empresa especializada em análise e avaliação de acidentes de trânsito. Belli Junior ainda lembrou que no caso de capotamento, aos passageiros que estiverem utilizando o cinto, o risco de ferimentos diminui significativamente. “Tudo isso depende de como a estrutura de um ônibus responde à deformação causada pelo acidente”, ressaltou o executivo da LBJR.

4 comentários:

  1. Boa reportagem. Paira na minha cabeça a dúvida: Qual o motivo das pessoas não afivelarem seus cintos de segurança em uma viagem rodoviária, principalmente em trajetos longos e de pavimento desfavorável como as estradas brasileiras?

    Se os equipamentos não existissem e os acidentes acontecessem, garanto que vítimas e familiares procurariam logo a quem processar.

    As montadoras investem fortemente para colocar os dispositivos mais modernos e diminuir as chances de acidentes ou mesmo os impactos no caso de sinistro. Todo esse esforço praticamente se anula quando o passageiro decide ignorar o cinto de segurança. Seria para não amassar a roupa, para não limitar os movimentos ou que outra explicação se aplica nesse caso?

    Será que precisamos ter em terra a rigidez da tripulação de um avião que vistoria cada viajante e adverte em caso de cinto desafivelado?

    Acredito que o necessário é apenas mudar a nossa atitude. Gostar mais da nossa vida e tratá-la com mais respeito.

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  2. Pois pasme, Mercedes, meu pai esconde os cintos para que ninguém os use. Eu tenho que rebater o assento para tirá-los de baixo.
    Gostei da matéria, resta esperar a chegada desse arsenal tecnológico aos carros pequenos que os pobres mortais consomem.

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  3. Eu concordo com o nosso amigo Mercedes.Mas eu acredito que as empresas de ônibus deveria,sim ter a mesma regidez da tripulação das companhias aéreas,e mostrando vídeos da proteção que o cinto oferece em caso de acidentes,porque só assim algumas pessoas iram utilizar o cinto de segurança,e a ANTT deveria colocar regras e fiscalizar essa situação,juntamente com a Policias Rodoviárias de todo o país,além de fazer campanhas,para a utilização desse item essencial na segurança(tanto nos ônibus,como nos carros,nesses nos bancos traseiros).
    As marcas Volvo e Scania estão de parabéns,em ter implantado esses sistemas de segurança nos seus chassis.
    Agora só falta a Mercedes-Benz fazer o mesmo,que não é só de pouco consumo e a rentabilidade pro frotista,que importa no quesito ônibus,a segurança também é um ponto muito importante,e que deveria ser melhor pensado pela a líder de mercado.
    Antônio a matéria ficou ótima,e bem completa.Parabéns:)

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  4. muito fixe e pena nao conseguir ver o video

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