sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Biocombustível


CURITIBA DÁ A LARGADA
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AO BIODIESEL

Antonio Ferro

O inédito programa brasileiro de uso integral do biodiesel em ônibus urbano já está nas ruas de Curitiba.




Conforme já anunciado neste blog em matéria datada do dia 31 de julho passado com o título 100% Biocombustível, o tema volta ser destacado neste momento com o início da operação oficial de seis ônibus da curitibana Linha Verde com o uso de biodiesel sem mistura nenhuma do diesel convencional. O evento realizado pela prefeitura de Curitiba ocorreu ontem, dia 27, quando os primeiros veículos foram abastecidos pelo combustível proveniente da soja. "Estamos abrindo uma nova etapa na história do transporte e da conservação do meio ambiente no país", disse Marcos Isfer, presidente da Urbanização de Curitiba S/A (URBS). Curitiba já havia testado, há alguns anos as misturas de 5% e 20% de combustível orgânico, os chamados B05 e B20, experiências que levaram ao projeto do B100. Para a URBS, a expectativa é que o programa permitirá uma redução de pelo menos 50% na emissão de poluentes. Só a emissão de dióxido de carbono será 30% menor e a emissão de fumaça cai em 70%. "O que estamos fazendo em Curitiba é algo inédito e que exige uma avaliação permanente dos resultados. A idéia é que tenhamos progressivamente cada vez mais ônibus rodando com o B100", revelou Elcio Karas, gestor da área de Vistoria e Cadastro do Transporte Coletivo na Urbs e que coordena a implantação do projeto. São três ônibus da Scania e três da Volvo que percorrerão 200 km ao dia nesse inédito projeto com o abastecimento integral de biodiesel. A previsão, segundo a gerenciadora, é de um consumo de 20 mil litros do combustível alternativo e a troca do óleo lubrificante dos ônibus será feita a cada cinco mil quilômetros, com monitoramento constante para observar os efeitos do biocombustível em peças como pistão, anéis, bicos injetores e tubulação.


Para a Scania, uma das montadoras envolvidas no projeto, as três unidades do K 310 8x2 articuladas estão preparadas para operar utilizando o combustível B100 que atenda a norma européia EN14214, sendo a primeira vez que eles utilizarão o combustível dentro das normas ANP07. “A operação desses veículos com B100 marca um importante momento no transporte de passageiros. A Scania tem grande satisfação em participar desse desenvolvimento, já que procura contribuir diariamente com um trabalho sustentável e consciente com a importância de um meio ambiente preservado”, destacou Eduardo Monteiro, responsável pelas vendas de chassis urbanos da Scania no Brasil.


Fotos - Secretaria Municipal de Comunicação/Prefeitura de Curitiba
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Vídeo - Secretaria Municipal de Comunicação/Prefeitura de Curitiba

Rápida


MASCARELLO PRODUZ
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O GRANVIA 6X2




A paranaense Mascarello, a novata dentre as encarroçadoras de ônibus no Brasil, mostra que experiência na produção de ônibus é de fundamental importância quando o assunto é atender todos os nichos de transporte. Prova disso é que ela atendeu ao pedido da Empresa Viamão, da cidade homônima localizada na região metropolitana de Porto Alegre – RS, que necessitava de um veículo com maior capacidade de transporte e ao mesmo tempo apresentasse baixo custo operacional. O resultado é que a transportadora encomendou 08 unidades do GranVia com 14 metros de comprimento sobre chassis Mercedes Benz OF 1722 adaptados com terceiro eixo pela empresa gaúcha RodoMondi. Os novos ônibus contam com letreiros digitais brancos: frontal superior, frontal auxiliar, lateral e traseiro e também com elevador para cadeira de rodas na porta traseira. Para a Mascarello, o segmento urbano com carroçaria maior e com três eixos vem apresentando gradativo crescimento no mercado de ônibus.


Fotos - Divulgação/Mascarello
História


UM PULO AO PASSADO

Antonio Ferro

Nestas reminiscências, vamos aproveitar para rever alguns tipos de ônibus que marcaram os anos de 1960 e 1970. Estas carroçarias foram produzidas pela Caio, ainda em sua unidade localizada na Rua Guaiaúna, em São Paulo no ano de 1952. Foi neste ano que a encarroçadora inovou ao lançar uma estrutura inteiramente de metal em substituição a madeira. Em anexo nesta recordação, também podemos ver duas peças publicitárias da Nimbus e Striuli.


Seria esta uma versão pré-Bossa Nova com chassi Siccar?


O modelo de carroçaria Bossa Nova leva este nome em homenagem ao gênero musical dos anos 60 e que muito sucesso promoveu ao mundo artístico. Nesta imagem ela está sobre chassis GM ODC. Esta carroçaria foi a primeira com estrutura tubular.


A Empresas Reunidas, de Araçatuba – SP, foi uma das transportadoras que adquiriram o Bossa Nova com chassi Scania B75 para a operação em longas distâncias. Detalhes construtivos deste modelo fizeram-no num dos mais modernos para a época.

Com a expansão das cidades, a necessidade por veículos com maior capacidade de passageiros se fez presente. A Caio então iniciou a fabricação do modelo Jaraguá em 1963. Nesta foto podemos observar um chassi Scania com o referido modelo.


Antes de ter sua aquisição total pela Marcopolo, a gaúcha Manufatora Furcare, marca da Nimbus, produziu carroçarias dos modelos urbano e rodoviário para diversas empresas brasileiras, como este típico para operações nas cidades com chassi Magirus Deutz.


A extinta Striuli, de Guarulhos – SP, ficou conhecida em promover, através de licença da norte-americana GM, o desenvolvimento de uma versão tupiniquim do consagrado modelo PD para a Viação Cometa. Carroçarias urbanas com detalhes impares também foram objetos de produção da marca paulista, como podemos ver nesta propaganda.
Imagens – arquivo Tony Belviso

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Artigo
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COPA 2014
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O JOGO É SUSTENTABILIDADE
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Rodrigo Corleto Hoelzl*
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Os investimentos para melhorar a infraestrutura das cidades que servirão co­­mo sede da Copa de 2014 estão em discussão. Qual será o legado que esses projetos trarão para o desenvolvimento das ci­­dades depois da Copa? Surge uma grande oportunidade para pensarmos em planejamento urbano, mas não podemos focar nossas ações e recursos apenas para o próprio evento. Temos de pensar no legado que será deixado para a nossa população. Temos de ter a responsabilidade de realizar bons projetos, que sejam sustentáveis para gerações de brasileiras – e não apenas para atendermos os turistas que virão para ver os jogos.
Sem sombra de dúvida, Curitiba tem uma das melhores situações de infraestrutura para sediar um evento desse porte, principalmente no quesito transporte coletivo. Temos uma rede de transporte sem comparativos mundiais, que abrange toda a cidade e grande parte da região metropolitana, por meio da integração física e tarifária. O que precisamos fazer, então? Propor um novo modal para substituir um eixo consolidado de transporte, que endividará a cidade, reduzindo sua capacidade financeira para fazer frente a outras necessidades como saúde, segurança e educação e que trará maior custo para a tarifa e precisará de altos subsídios para a operação?
Já sabemos a resposta. Com muito menos recursos podemos modernizar nosso sistema de transporte com a implantação de um sistema inteligente de informação aos passageiros – os chamados ITS. Podemos ter uma gestão eficiente de bilhetagem eletrônica, que amplie a oferta de pontos de venda para os usuários e melhore as informações técnicas para um adequado planejamento operacional, aliando tudo isso a grande segurança para os usuários e implantar a priorização semafórica para as canaletas exclusivas.
Essas ações trarão, em primeiro lugar, um sistema sustentável para os cidadãos que vivem aqui. Também farão com que o sistema seja mais atrativo, aumentando o conforto e segurança dos usuários e, como consequência, atrairemos novos usuários, abrindo um ciclo virtuoso capaz de tornar nosso sistema novamente sustentável para nossos cidadãos.
Muito se fala em custos do sistema, de valor de tarifa. Vale lembrar que uma enorme quantidade de variáveis influenciam o custo das tarifas. Não apenas a quantidade de passageiros e o total de quilômetros rodados. Entram na conta também os projetos de lei ampliando gratuidades e isenções, políticas de incentivos ao transporte individual com isenções de impostos, a falta de um plano de mobilidade urbana adequado, o projeto de lei de mototáxis aprovado pelo Senado Federal, entre outras variáveis. A falta de uma política de incentivo leva ao encarecimento do transporte coletivo em nossas cidades. Há também efeitos colaterais do baixo uso do transporte coletivo: o aumento de congestionamentos, acidentes de trânsito e níveis de poluição.
Sustentabilidade se faz com equilíbrio econômico, ambiental e operacional, com um sistema que alie boas práticas operacionais, suportadas por tecnologia já existente em outros sistemas. Precisamos de um modelo ambientalmente responsável, mas sem ideais inatingíveis e que encarecem a operação; algo economicamente viável, revendo isenções e gratuidades e desonerando os custos do setor. Afinal, quando todos os usuários pagam, cada um paga menos.
Sustentabilidade é o jogo que precisamos jogar. Os pontos a serem marcados são as conquistas de melhor mobilidade em nossas cidades. A vitória será de todos os usuários atuais e futuros, que ganharão um sistema mais transparente, mais amplo e com maior produtividade e, principalmente, com tarifa justa.
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* Presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana.
Jornal Gazeta do Povo 13/08/2009
Transmissões


COLECTIVOS COMEMORAM
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10 MIL TRANSMISSÕES ALLISON




Uma marca considerável é comemorada neste momento. São 10 mil transmissões automáticas da marca Allison instaladas nos ônibus urbanos de Buenos Aires, Argentina. Com mais de 13 milhões de habitantes, a área metropolitana da capital argentina é exemplo quando o assunto é atender totalmente os requisitos previstos pela lei daquele município, que os tornam aptos a servir plenamente à população. Para a Allison, a transmissão automática proporciona mais segurança aos condutores e passageiros, tendo muitos outros benefícios, como a redução significativa no período destinado ao treinamento dos operadores, pela maior facilidade de operação se comparados ao ônibus com transmissão manual, a diminuição das paradas para manutenção graças à eliminação da necessidade de troca de embreagem e maior intervalo de troca de peças como juntas universais, cardãs, eixo traseiro e lonas de freio e ainda promovendo considerável economia para os frotistas e maior disponibilidade dos ônibus para a população. Uma lei municipal de Buenos Aires determina que os ônibus urbanos tenham motor traseiro, suspensão pneumática e, desde 1995, o piso baixo para facilitar o acesso de deficientes físicos e idosos.


Fotos - Divulgação

“Esses veículos, além de terem motor traseiro, suspensão pneumática e piso baixo para facilitar o acesso de deficientes físicos e idosos, são muito mais confortáveis para os usuários, graças às partidas mais suaves, redução de solavancos e diminuição significativa do barulho. Mas a questão primordial é a melhora do trânsito, já que ônibus automáticos têm partidas mais rápidas e seguras, mesmo em rampas acentuadas, e possuem melhor desempenho, congestionando menos o sistema viário”, lembrou Roberto Larossa, gerente regional da Allison Transmission para a Argentina. De acordo com a Allison, os chassis de ônibus que transitam pela cidade portenha são das marcas Agrale, modelos MT 12.0 LE com transmissão automática série 2000 e MT 15.0 LE com transmissão automática T270; Mercedes Benz OH1315 e OH 1115 com transmissão automática T270; Materfer BU1215 com transmissão automática T270 e Tatsa D10.8 com transmissão automática T270 (R). “Se fizermos uma relação entre a capital argentina e São Paulo (cidade que possui 4.380 km de extensão de vias públicas com uma média de congestionamentos extremamente alta) com o uso desse tipo de equipamento em ônibus, a cidade brasileira fica muito aquém frente ao exemplo de nossos vizinhos. A frota paulistana de ônibus é composta por 15 mil ônibus e apenas 5% de montante possui a caixa automática”, concluiu Larossa.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Rápida


NOVOS ÔNIBUS MARCOPOLO
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NO URUGUAI



A Companhia Uruguaia de Transportes Coletivos S.A. – CUTCSA – irá receber no próximo dia 27 as primeiras unidades (de um lote com 200 ônibus) do Torino com chassi Mercedes Benz OH 1518. Segundo a Marcopolo, os novos veículos somam-se a outros 250 fornecidos no ano passado (dos modelos Torino e Ideale), o que se constitui em mais uma importante venda realizada nos últimos anos pela encarroçadora gaúcha para a América do Sul e a utilização de novos ônibus vai permitir a melhoria na qualidade do serviço oferecido nas linhas urbanas de transporte da capital Montevideo. A CUTCSA possui uma frota de mais de 1.000 ônibus, utilizados em 100 diferentes linhas intermunicipais e urbanas, sendo 80% modelos Marcopolo. Cada nova carroçaria tem 10,75 m de comprimento, poltronas do modelo urbano, capacidade para 33 a 36 passageiros e portas dianteira e traseira convencionais (em duas folhas).


Divulgação
Nostalgia
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PROJETO PADRON
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PIONEIRISMO NA RENOVAÇÃO
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EM ÔNIBUS URBANOS

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Antonio Ferro


Projeto que estabeleceu pioneiras normas construtivas para ônibus urbanos foi um grande avanço para impedir a deterioração do principal meio de locomoção coletiva em nosso país. (Em tempos de grande planejamento para os preparativos da Copa de 2014, nada mais salutar que rever esse conceito).

A década de 70 estava às favas e o transporte urbano de passageiros realizado por ônibus não apresentava qualquer tipo de melhoria que pudesse proporcionar aos seus usuários um pouco de comodidade em toda a operação. O pragmatismo era a aplicação de um produto sem uma definição regulamentada. Isso pôde ser comprovado por um grande número de encarroçadoras que, estimuladas pela omissão das forças da lei, impulsionaram o mercado com produtos improvisados. Exemplo de um país que ainda não seguia a trajetória fundamentada por princípios normativos em sua evolução.

Uma combinação não muito proveitosa da capacidade de nossa indústria imperava no setor de ônibus urbanos. Os tipos de veículos encontrados eram baseados em chassis com motor dianteiro (não muito diferente de hoje) e carroçarias que não privilegiavam nem um pouco o conforto dos passageiros, com muito ruído, falta de ventilação/iluminação e pouco espaço interno para a acomodação de quem necessitava usá-las. Das três montadoras presentes em nosso mercado naquela época, todas concentravam suas atenções em chassis, sendo que uma marca oferecia um modelo diferencial. A Mercedes Benz há tempos produzia os seus chassis para encarroçamento, além de um veículo integral (união entre carroçaria e chassi), fato marcante desde o início de sua presença no Brasil. Já a Scania, sua linha de ônibus era composta por chassis com motor dianteiro, comuns desde o seu princípio brasileiro em 1957, e o modelo dotado com bloco na traseira, equipamento encontrado a partir dos anos de 1970 (aqui ainda voltado para o segmento rodoviário). A Volvo era a caçula, trazendo uma inovação com características próprias para o transporte urbano de passageiros – um chassi com motor localizado no entre eixos e suspensão pneumática.



Inspiração européia para o modelo Padron.

Foto - arquivo Daimler

Mas antes precisamos dar um pulo até meados dos anos de 1960, mais exatamente na Alemanha Ocidental, assim chamada em tempos de “Guerra Fria”. A VOV (Verband Offentlicher Verkehrsbetriebe ou para simplificar, Associação das Companhias de Transporte Público daquele país) em comum acordo entre as fabricantes locais de ônibus e o governo alemão, estabeleceu normas para a padronização da construção de um ônibus urbano. O projeto básico deveria seguir uma série de regras que norteavam a produção dos veículos exigindo qualidade e especificações ideais no emprego de materiais adequados para se conseguir segurança e conforto aos usuários e motoristas. Dentre os principais parâmetros definidos, o ônibus padrão VOV tinha 11m de comprimento com layout interno para acomodar 105 ou 115 passageiros; altura do piso do salão de passageiros 740 mm acima do solo, sendo que o primeiro degrau das portas deveria ficar distante 340 mm; suspensão pneumática integral composta por válvulas de nível; estrutura, chapeamento e acabamento com vida útil mínima de 10 anos; motor traseiro com potência de 200 CV DIN. Com as regras em prática, os principais nomes da indústria alemã de ônibus logo apresentaram seus modelos de acordo com o especificado.

Volvo - Originalidade com seus primeiros chassis no Brasil.
Foto - Arquivo Volvo

O cenário nada encorajador no transporte urbano sobre pneus que perdurava em 1977, fez o então GEIPOT – Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte – órgão do Governo Federal, em convênio firmado com a Secretaria de Planejamento da Presidência da República e com o Ministério dos Transportes (através da EBTU – Empresa Brasileira de Transportes Urbanos), a apresentar um projeto denominado Padron – conjunto de estudos para promover normas técnicas na construção de um ônibus urbano. A primeira etapa desse trabalho envolveu uma pesquisa de campo realizada um ano antes nos principais centros urbanos brasileiros. A constatação apresentada era que os serviços de ônibus estavam em baixa, com uma qualidade aquém do necessário para o transporte de massa. Os itens analisados foram: confiabilidade, conforto, consumo de combustível, segurança e tempo de viagens, além das características de construção dos veículos.


A intenção era melhorar o conforto ao passageiro.
Arquivo Volvo

Alguns anos antes, Curitiba já se destacava entre as principais cidades brasileiras enfatizando um sistema de transporte com tratamento diferenciado ao ônibus, com suas famosas canaletas exclusivas que promoveram eficiência aos serviços, trazendo ainda um novo conceito em ônibus urbano. Seguindo especificações próprias, determinadas pelo IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – o veículo pioneiro a rodar pelas vias exclusivas, chamado de Veneza Expresso e produzido pela gaúcha Marcopolo, anteviu algumas das normas que seriam colocadas pelo projeto Padron, como a localização do motor, na área traseira e a facilidade encontrada no embarque e desembarque dos passageiros, provocada pelas largas portas.

Após reunir todos os dados pesquisados, o GEIPOT tratou de dar um andamento ao projeto, contando com a participação da indústria, através da Fabus – então Associação Nacional dos Fabricantes de Carrocerias para Ônibus – e das próprias montadoras de chassis. Dúvidas iniciais quanto ao desenvolvimento das novas normas surgiram, mas nada que não pudessem ser respondidas. Com o rápido crescimento das regiões metropolitanas, a idéia era readequar o setor de ônibus urbano, que se encontrava em estado crítico. Com isso, dois relatórios foram apresentados: a Etapa I, contendo as especificações para a construção das carroçarias, e a Etapa II, com as definições técnicas para os chassis. A documentação final foi entregue para a indústria de ônibus em 1979, composta por um memorial descritivo fundamentado em normas semelhantes encontradas no continente europeu.

O resultado pôde ser visto no ano seguinte, com o surgimento de uma nova geração de ônibus urbanos. No total foram construídos 5 protótipos para um laboratório de campo em 6 principais capitais brasileiras, que operaram sob diversas condições de clima, topografia e trânsito. As parcerias Mercedes Benz / Caio e Marcopolo, Scania / Ciferal e Volvo / Caio e Marcopolo desenvolveram os veículos dentro das orientações do projeto. Entre as características técnicas elaboradas pelas especificações e implantadas nos novos ônibus, destacavam-se o uso do pneu radial, da suspensão a ar, transmissão automática, direção hidráulica, motor (traseiro ou central) com potência mínima de 200 CV, dotado com equipamentos para diminuir os índices de poluição e ruídos, iluminação e ventilação adequada a passageiros e motoristas. Quanto as dimensões, o veículo Padron deveria ter um comprimento de 12 m, altura de 3,30 m e largura de 2,60 m. A altura entre o solo e o primeiro degrau de acesso deveria ser, no máximo, de 0,37 m e as portas com largura mínima de 1,10 m.

Depois de estipuladas as regras, novos produtos adequados surgiram para a modernização das frotas.
Foto - Memória Marcopolo

A dobradinha Scania e Ciferal compartilhou a premissa de que um ônibus urbano necessitava ser construído com características diferenciadas, próprias para oferecer uma série de comodidades a quem mais necessitava nos longos deslocamentos diários entre trabalho, residência, escola e divertimento. A Scania ainda lançou a idéia que o ônibus era o caminho certo para a racionalização do transporte de massa, com a função de transportar pessoas, implicando para isso em projeto com exigências específicas. Sua presença no projeto Padron foi com o modelo BR112 (mais tarde K112), um chassi com propriedades modernas inclusas em seus veículos europeus. A estrutura autoportante era o atrativo do BR 112, pois a independência dos módulos dianteiro e traseiro permitia a redução da altura dos degraus de acesso e do piso do salão de passageiros, além de possibilitar a instalação de portas mais largas na carroçaria e um layout interno a escolha do cliente. O protótipo do chassi estava equipado com suspensão pneumática, motor D11 aspirado com 203 CV (opcional DS11 turbo de 296 CV) montado transversalmente na traseira, caixa de transmissão automática com 6 velocidades da própria Scania (modelo GAV 762), freios a ar e direção hidráulica.

Arquivo Volvo

Para a Volvo, que então participou do projeto com dois chassis B58, não houve a necessidade de promover grandes modificações em seu chassi, pois o produzia dentro dos mais modernos parâmetros europeus e que podiam tranquilamente ser adotados no projeto. O B58 era equipado com um motor horizontal de 260 CV, que liberava o salão de passageiros de qualquer tipo de obstáculos, permitindo um layout a livre escolha do cliente, proporcionando a instalação de amplas portas de acesso. A suspensão pneumática, com controle automático de nível e a caixa de câmbio automática completavam os pontos modernos no chassi Volvo. Em princípios dos anos 70, a montadora, em sua pesquisa de mercado para a instalação de uma unidade industrial em terras brasileiras, já preconizava que o país necessitava modernizar o seu sistema de transporte público. Era de suma importância a racionalização do uso de meios de locomoção nas áreas centrais dos grandes centros urbanos, pois o crescimento populacional apresentava um expressivo aumento. E nisso, o ônibus teria seu importante papel na cadeia do transporte. “Esse projeto foi o divisor de águas entre os chassis de caminhões e um produto específico em ônibus. E o B58 mostrou ao mercado todo um conceito necessário em termos de operação, conforto e segurança para o transporte urbano”, lembrou Juarez Fioravante, ex-engenheiro de ônibus da Volvo do Brasil.

Diferentemente das duas marcas suecas, com seus modelos de chassis prontos para serem produzidos por aqui, a alemã Mercedes Benz trouxe de sua matriz duas unidades do chassi O305 equipado com motor OM 360, seis cilindros e 190 HP, portando ainda a transmissão automática desenvolvida por ela própria. Ela não seguiu adiante com esse modelo, disponibilizando ao mercado um outro veículo adequado aos padrões brasileiros.

Apresentação pelo Brasil do que poderia ser um avançado projeto para a melhoria dos veículos.
Foto - Museu virtual Carris Porto-Alegrense

A lição tirada pelo projeto Padron foi benéfica, pois promoveu alterações aos modelos de carroçarias mais simples, especificando quesitos mínimos e essenciais a uma melhora do ônibus urbano. Os parâmetros completos do projeto foram empregados em alguns sistemas de ônibus no Brasil, mas não com presença massiva, em função da praticidade do setor em adotar veículos com menores índices de sofisticação, tanto em chassis, como nas carroçarias e também pela difusão de regras criadas, no decorrer dos anos, para atender as peculiaridades de cada região brasileira, inerentes a um país com sua dimensão continental. Essa tentativa de normatização das carroçarias poderia ter colocado o Brasil em um patamar elevado quanto ao tipo de ônibus utilizado nos sistemas urbanos, mas ficou somente numa proposta bem intencionada.
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Obs - Este artigo foi republicado com acréscimos.